O Salazar morreu devido a uma queda. Sabia?

O princípio do fim de António de Oliveira Salazar, o nome mais sonante da história da política portuguesa, começou a 3 de agosto de 1968, no terraço do Forte de Santo António, no Estoril.

Augusto Hilário, calista que se preparava para lhe tratar dos pés naquela tarde de domingo. Alegou que Salazar se deixou cair para trás numa cadeira de lona, algo que fazia com regularidade. Mas, naquele dia, a cadeira estava fora do sítio e o seu corpo caiu violentamente no chão, desamparado, dando a cabeça uma forte pancada nas lajes do terraço. Hilário e a governanta D. Maria correram para o ajudar e foram imediatamente avisados pelo ditador, atordoado, para manter segredo absoluto acerca do sucedido.

Após o sucedido, a vida de Salazar continuou de forma normal e três dias depois Hilário conta ao seu médico o que aconteceu, apesar de ter prometido segredo. A 19 de agosto, Salazar desloca-se ao palácio de Belém para assistir à posse daquele que, sem saber, viria a ser o seu último governo. A 4 de setembro admite estar a sentir-se mal e não sabe o que tem. Dois dias depois é internado no hospital de São José. Apesar de os médicos não se decidirem quanto ao diagnóstico, uns alegavam hematoma e outros trombose cerebral, todos partilhando da opinião de que seria necessário operar, o que se sucede no dia seguinte. O relatório clínico dizia: “O Sr. Presidente do Conselho foi operado esta noite de um hematoma, sob anestesia local, encontrando-se bem”.

Salazar foi internado

Salazar

O ditador ficou internado no Centro de Saúde de Benfica e a situação agravou-se devido a uma hemorragia no cérebro. A todos foi exigido segredo. Nove dias depois, o Presidente Américo Tomás é notificado de que é necessário formar um novo governo, uma vez que a vida política de António de Oliveira Salazar estava “terminada”. A 26 de setembro é anunciada a sua substituição e no dia seguinte Marcelo Caetano toma posse. O ditador tinha comandado o governo durante 40 anos.

Apesar de o país ter sido informado da substituição por Caetano, Salazar continuou a achar que ainda mantinha o mesmo cargo político. Ninguém lhe disse o contrário e continuou a sua vida, vítima de um enceno teatral que na verdade apenas escondia o facto de o mesmo ter passado a ser um mero cidadão. Residia no palácio de São Bento, recebia importantes figuras do panorama político e até mesmo concedia entrevistas. Todos escondiam conscientemente, perante Salazar, a sua invalidez.

A 15 de julho de 1970, o ditador português é assoberbado por uma grave doença infeciosa e a 27 de julho falece, às 09:15h da manhã. Salazar tinha 81 anos.

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